O que você gostaria de fazer florescer nesta primavera?

A primavera costuma ser associada à renovação.

Depois de um período mais frio e de dias mais curtos, a natureza muda de ritmo. Surgem novas folhas, flores, cores e movimentos.

Mas existe algo interessante nesse processo: a natureza não tenta acelerar a primavera.

Uma semente não precisa florescer antes da hora. Uma árvore não tenta manter suas folhas o ano inteiro. O inverno não é tratado como um erro que precisa ser corrigido.

Cada fase tem seu tempo.

E talvez seja justamente aí que a primavera tenha algo importante para nos ensinar.

Por que temos tanta pressa para renovar?

Vivemos em um tempo que valoriza a velocidade.

Queremos aprender rapidamente, alcançar resultados rapidamente, resolver rapidamente.

Quando alguma coisa não funciona, pensamos logo em mudar. Quando estamos cansados, procuramos uma solução. Quando uma fase termina, queremos saber imediatamente qual será a próxima.

Até mesmo a ideia de renovação pode carregar uma certa pressa.

“É hora de mudar.”

“É hora de começar de novo.”

“É hora de sair da zona de conforto.”

Mas será que toda mudança precisa acontecer imediatamente?

E será que toda pausa significa que estamos parados?

Existem coisas que precisam de tempo

Na natureza, crescimento não acontece de uma vez.

Existe um tempo em que a semente permanece escondida. Há raízes se formando antes de qualquer flor aparecer.

Também existem processos humanos que precisam de tempo para acontecer.

Uma ideia precisa amadurecer.

Uma mudança precisa ser assimilada.

Uma experiência precisa ser compreendida.

Uma perda precisa ser elaborada.

Um novo hábito precisa encontrar espaço na rotina.

Nem tudo pode ser acelerado.

Às vezes, o que parece ausência de movimento é justamente um período de preparação.

O problema de querer atropelar os ciclos

Quando tentamos transformar todas as fases rapidamente, podemos perder aquilo que cada uma delas tem para oferecer.

Queremos sair logo da dificuldade, chegar logo ao resultado, preencher logo o vazio, substituir logo aquilo que terminou.

Mas os ciclos existem justamente porque nem tudo acontece ao mesmo tempo.

Há momentos de expansão e momentos de recolhimento.

Há momentos para fazer e momentos para observar.

Há momentos para avançar e momentos para recuperar forças.

A pausa não é necessariamente o oposto do movimento.

Ela pode fazer parte dele.

Nem toda fase precisa florescer

Talvez uma das maiores dificuldades seja aceitar que existem períodos em que não estamos produzindo grandes novidades.

Nem sempre teremos um projeto novo.

Nem sempre estaremos cheios de energia.

Nem sempre saberemos para onde estamos indo.

E tudo bem.

Uma árvore não é menos árvore porque, em determinada estação, não está coberta de flores.

Da mesma maneira, uma pessoa não deixa de estar vivendo porque atravessa uma fase mais silenciosa, incerta ou de menor movimento.

Existem períodos em que viver também significa simplesmente permanecer, observar e recuperar-se.

Renovar não é apagar o que veio antes

Quando falamos em renovação, às vezes imaginamos que precisamos abandonar uma versão antiga de nós mesmos.

Como se para começar uma nova fase fosse necessário deixar para trás tudo o que fomos.

Mas a natureza não funciona assim.

A primavera não apaga o inverno.

Ela acontece depois dele.

O que veio antes continua fazendo parte do ciclo.

Nossas experiências, escolhas, erros, aprendizados, relações e mudanças também fazem parte de quem somos.

Renovar pode significar transformar sem negar.

É levar a própria história para uma nova fase.

E o movimento?

Movimento também precisa de ritmo.

O corpo não funciona bem quando está permanentemente em esforço. Atividade e recuperação fazem parte de uma mesma dinâmica.

Na vida acontece algo semelhante.

Precisamos de movimento, mas também precisamos de pausas.

Precisamos experimentar, mas também precisamos assimilar.

Precisamos sair do lugar, mas também precisamos saber quando é hora de diminuir o ritmo.

Talvez bem-estar tenha menos relação com estar sempre fazendo alguma coisa e mais com encontrar um ritmo que permita continuar vivendo com presença.

Então, o que você gostaria de fazer florescer?

Talvez essa pergunta não precise ser respondida imediatamente.

Pode ficar conosco por algum tempo.

O que está pedindo espaço?

O que precisa ser retomado?

O que precisa ser transformado?

O que precisa de mais tempo?

E o que, talvez, precise simplesmente descansar antes de voltar a crescer?

A primavera não nos ensina apenas a florescer.

Ela nos lembra que florescer é uma parte de um ciclo muito maior.

E que renovação não precisa ser pressa.

Pode ser presença, tempo, movimento, pausa e transformação.

Cada coisa no seu tempo.

O que você gostaria de fazer florescer nesta primavera?

Na natureza, existem momentos de crescimento, de pausa, de recolhimento e de renovação. Nada precisa florescer o tempo todo. E nós também precisamos respeitar nossos próprios ciclos.

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