Está com tédio? Ótimo.

A gente corre para preencher qualquer espaço vazio. Pega o celular. Fica rodando pelas redes sem fim. Liga a televisão. Come outra coisa. Marca mais um compromisso. Faz mais uma tarefa.

Mas e se o tédio não for um problema?

O tédio é um espaço. Um intervalo. Um silêncio entre um movimento e outro. E quem pratica pilates sabe: a pausa também faz parte do exercício. É nela que o corpo integra o que foi feito. É nela que a respiração se reorganiza. É nela que o sistema nervoso encontra equilíbrio.

Com a mente é parecido.

Quando tudo desacelera e não há estímulo imediato, algo começa a acontecer por dentro. Pensamentos aparecem. Emoções que estavam abafadas ganham voz. Perguntas surgem. Às vezes isso incomoda. Por isso é mais fácil fugir.

Mas, se a gente sustenta esse momento por alguns minutos, pode perceber que o tédio abre espaço para clareza. Ele nos tira do piloto automático. Ele nos obriga a perguntar: o que eu realmente quero agora? O que está faltando? O que eu tenho evitado sentir?

Existe uma diferença grande entre estar esgotada e estar entediada.

O esgotamento pede descanso profundo. O tédio, muitas vezes, pede sentido. Pede presença.

É curioso como as melhores ideias não surgem quando estamos ocupadas demais. Elas aparecem no banho, na caminhada, olhando pela janela. Momentos em que aparentemente “não estamos fazendo nada”. Na verdade, estamos permitindo que a mente respire.

E talvez seja isso que esteja faltando hoje: respiro mental.

No pilates, aprendemos a importância da respiração consciente. Inspirar. Expirar. Sustentar. O tédio pode ser essa respiração da mente. Um intervalo saudável entre estímulos constantes.

Não significa romantizar a apatia ou ignorar sinais de sofrimento emocional. Se o tédio vem acompanhado de tristeza profunda, desânimo persistente ou sensação de vazio contínuo, é importante olhar com cuidado e, se necessário, buscar apoio profissional.

Mas o tédio ocasional, aquele que aparece quando tudo está em ordem e mesmo assim sentimos um “e agora?”, pode ser fértil.

Ele pode revelar desejos esquecidos. Pode apontar mudanças necessárias. Pode despertar criatividade. Pode simplesmente ensinar que não precisamos preencher todos os espaços.

Talvez o problema não seja o tédio, mas o medo de ficar sozinha com os próprios pensamentos.

Porque quando tudo silencia, não sobra distração. Não sobra notificação. Não sobra tarefa urgente. Sobra você.

E isso pode ser desconfortável.

No silêncio, começam a aparecer perguntas que a gente vinha adiando. Aparecem emoções que foram empurradas para depois. Pequenas frustrações, cansaços acumulados, desejos que ficaram esquecidos na rotina.

O tédio, muitas vezes, é apenas o cenário. O que realmente incomoda é o que surge quando o barulho externo diminui.

Vivemos numa época em que estar ocupada virou quase um valor. Agenda cheia parece sinônimo de importância. Mas, no fundo, às vezes a ocupação constante é uma forma elegante de não sentir.

Não sentir a dúvida. Não sentir a insegurança. Não sentir a solidão. Não sentir que talvez algo precise mudar.

Ficar sozinha com os próprios pensamentos exige coragem. Exige maturidade emocional. Exige disposição para olhar para dentro sem filtros.

E é justamente aí que mora o crescimento.

Quando você sustenta alguns minutos de silêncio, começa a perceber padrões. Percebe o que te cansa de verdade. Percebe o que te nutre. Percebe o que está desalinhado.

É como no pilates: no início, sustentar uma posição com controle e consciência pode tremer, pode incomodar. Mas é nesse tremor que o fortalecimento acontece.

Com a mente é parecido. Sustentar o silêncio pode gerar desconforto. Mas é nele que nasce clareza.

Talvez o tédio esteja dizendo: “pare um pouco”. Talvez ele esteja pedindo reconexão. Talvez ele esteja abrindo um espaço para você se escutar com mais honestidade.

E quando a gente aprende a não fugir desse encontro consigo mesma, algo muda. O silêncio deixa de ser ameaça. Vira ferramenta. Vira território seguro.

Está com tédio? Ótimo. Comece um reencontro mais gentil e consciente com você.

A gente aprendeu que sentir tédio é algo ruim. Que significa falta de produtividade, falta do que fazer, falta de propósito. E, para ser bem honesta, quase ninguém admite que está entediada. Parece feio. Parece perda de tempo.

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