E se o “monstro” que está na sua mente não for tão grande assim?

Nem sempre é preciso que alguma coisa grave aconteça para a nossa mente entrar em alerta.

Às vezes, basta um plano que não saiu como esperado. Uma notícia inesperada. Uma mensagem que não chega. Uma conversa que termina de um jeito diferente do que imaginávamos. Uma mudança de última hora. Ou até mesmo uma cena que vemos e interpretamos de uma determinada maneira.

Para quem está mentalmente cansado, emocionalmente fragilizado ou tem uma tendência maior a se preocupar e antecipar problemas, pequenas situações podem ganhar um tamanho desproporcional.

É como se, de repente, um pequeno sinal fosse suficiente para despertar um monstro.

E ele começa a falar:

“E se alguma coisa estiver errada?”

“E se acontecer o pior?”

“E se eu não conseguir lidar com isso?”

“E se aquilo que estou imaginando for verdade?”

Um pensamento chama outro. A preocupação aumenta. O corpo acompanha. O coração acelera, a tensão aparece, o sono pode ser afetado e, pouco a pouco, aquilo que começou como uma possibilidade passa a parecer uma certeza.

O problema não está em sentir. O que sentimos é real.

O medo é real. A angústia é real. A preocupação é real.

Mas existe uma diferença importante entre o que estamos sentindo e aquilo que de fato está acontecendo.

E é justamente nesse espaço que podemos começar a olhar para o nosso “monstro” de outra maneira.

Quando a mente tenta nos proteger

A nossa mente está constantemente tentando antecipar o que pode acontecer. Em situações de ameaça ou incerteza, imaginar cenários possíveis é uma forma de tentar nos proteger.

O problema aparece quando esse mecanismo permanece ligado mesmo quando não existe uma ameaça concreta diante de nós.

Uma pequena alteração no planejamento pode ser interpretada como sinal de que tudo vai dar errado.

Uma demora pode se transformar em preocupação.

Uma expressão no rosto de alguém pode parecer reprovação.

Uma sensação no corpo pode ser interpretada como sinal de que alguma coisa grave está acontecendo.

E aquilo que era apenas uma possibilidade começa a parecer inevitável.

É assim que o monstro começa a crescer.

Não necessariamente porque a situação mudou, mas porque a maneira como estamos interpretando aquela situação mudou.

O tamanho do problema pode mudar dependendo de como estamos

Todos nós temos dias em que estamos mais preparados para lidar com imprevistos.

Dormimos bem, estamos tranquilos, conseguimos pensar com clareza e, diante de um problema, pensamos:

“Tudo bem. Vamos ver o que fazer.”

Em outros dias, estamos cansados, sobrecarregados, preocupados ou emocionalmente fragilizados.

A mesma situação pode provocar uma reação completamente diferente.

Isso não significa fraqueza.

Significa que nosso estado mental e emocional influenciam a maneira como percebemos e respondemos ao que acontece ao nosso redor.

Por isso, antes de validar todos esses sentimentos de aflição e medo, o caminho mais sensato seja fazer uma pausa e fazer uma auto reflexão:

  • A situação que está me perturbando é realmente real?
  • Quais são os fatos que tenho certeza que são reais?

O pensamento não é necessariamente um fato

Quando estamos preocupados, pode ser difícil perceber que existe uma diferença entre aquilo que pensamos e aquilo que sabemos.

“Ela não respondeu porque está chateada comigo.”

“Isso vai dar errado.”

“Eu não vou conseguir.”

“Alguma coisa ruim vai acontecer.”

Essas frases podem parecer conclusões, mas muitas vezes são interpretações.

Volte para a auto reflexão:

  • O que eu realmente sei sobre essa situação?
  • O que estou supondo?
  • Existe outra possibilidade além daquela que estou imaginando?

Isso não significa obrigar-se a pensar positivo.

Significa tentar olhar para a situação por mais de um ângulo.

Porque, quando estamos assustados, a primeira interpretação nem sempre é a melhor.

Não é preciso expulsar o monstro

Talvez a gente não consiga impedir que pensamentos de medo apareçam.

E talvez nem seja necessário.

O objetivo não precisa ser nunca mais sentir ansiedade, preocupação ou insegurança.

Pode ser aprender a reconhecer quando esses sentimentos estão assumindo o controle.

Em vez de:

“Isso vai acontecer.”

Trocar para:

“Estou com medo de que isso aconteça.”

Parece uma pequena mudança, mas existe uma diferença enorme entre as duas frases.

Na primeira, o pensamento apresenta uma previsão como se fosse um fato.

Na segunda, você reconhece o sentimento sem transformar a imaginação em realidade.

É uma maneira de criar um pouco de distância entre você e aquilo que está passando pela sua cabeça.

E quando o medo faz a gente evitar?

Quando alguma situação provoca medo, evitá-la pode trazer um alívio imediato.

Não fazer aquela atividade. Não aceitar o convite. Não ter aquela conversa. Não tentar algo novo.

Por alguns instantes, parece que o problema desapareceu.

Mas, em algumas situações, evitar repetidamente aquilo que provoca medo pode reforçar a sensação de que aquilo é perigoso demais para ser enfrentado.

Por isso, quando for seguro e possível, pequenos passos podem ser mais importantes do que grandes enfrentamentos.

Um passo de cada vez.

Sem ignorar os próprios limites.

Sem transformar coragem em obrigação.

E, quando necessário, contando com apoio profissional para encontrar uma maneira adequada de lidar com aquilo.

O corpo também pode ajudar a sair do estado de alerta

Quando a mente percebe uma ameaça, mesmo que ela seja apenas imaginada, o corpo pode reagir.

A respiração muda. Os músculos ficam tensos. O coração acelera. A atenção se concentra naquilo que parece perigoso.

Por isso, cuidar do corpo também pode fazer parte de uma rotina de saúde mental.

Movimentar-se, caminhar, dançar, praticar Pilates, fazer exercícios de força, alongar-se são formas de incluir atividade física na rotina.

A Organização Mundial da Saúde reconhece benefícios da atividade física para a saúde mental e para o bem-estar, além de seus efeitos sobre a saúde física.

Isso não significa que exercício substitua psicoterapia, tratamento médico ou outras formas de cuidado quando elas são necessárias.

Significa apenas reconhecer que corpo e mente participam juntos da nossa experiência de bem-estar.

E se o monstro realmente for grande?

Também precisamos tomar cuidado para não transformar essa conversa em um simples “pense positivo”.

Nem todo medo é imaginário ou resultado simplesmente da nossa ansiedade.

Existem problemas reais. Existem perdas, doenças, situações traumáticas, conflitos e momentos em que o sofrimento emocional pode ser intenso.

E ninguém deveria ser levado a acreditar que precisa simplesmente “pensar diferente” para resolver tudo.

Pedir ajuda não diminui quem você é.

Pelo contrário: é reconhecer que aquilo merece atenção que sua saúde mental merece atenção.

Há momentos em que o problema realmente é grande.

Nessas situações, cuidar da saúde mental não significa negar o que está acontecendo, tentar encontrar um lado bom para tudo ou agir como se nada estivesse acontecendo.

Significa encontrar maneiras de atravessar aquele momento sem deixar que o problema defina completamente quem somos ou como será toda a nossa vida.

O que pode ajudar quando o problema é real?

Permita-se sentir.

Tristeza, medo, raiva, frustração e insegurança fazem parte das experiências humanas. Tentar afastar imediatamente aquilo que estamos sentindo nem sempre ajuda.

Dar nome ao que está acontecendo pode ser um primeiro passo:

“Estou com medo.”

“Estou triste.”

“Estou sobrecarregada.”

“Não estou conseguindo lidar com tudo agora.”

Reconhecer uma emoção não significa se entregar a ela. Significa parar de lutar contra o fato de que ela existe.

Concentre-se no que está sob seu controle.

Quando enfrentamos um problema grande, é fácil pensar em tudo ao mesmo tempo: o que pode acontecer amanhã, na próxima semana ou daqui a alguns meses.

Mas a mente também precisa de intervalos.

Pergunte:

O que eu posso fazer hoje?

Talvez seja resolver uma questão prática. Fazer uma ligação. Pedir ajuda. Marcar uma consulta. Organizar uma tarefa. Ou simplesmente descansar.

Nem sempre conseguimos resolver o problema inteiro.

Mas podemos cuidar do próximo passo.

Não abandone completamente a sua rotina.

Em períodos difíceis, é natural perder a vontade de fazer coisas que antes davam prazer.

Ainda assim, manter alguns pontos de referência na rotina pode ajudar a atravessar períodos de maior instabilidade.

Tomar banho, alimentar-se adequadamente, dormir nos horários possíveis, sair um pouco de casa, movimentar o corpo, encontrar alguém querido, continuar uma atividade de que gosta.

Pode parecer pouco diante de um grande problema.

Mas, quando tudo parece fora do lugar, pequenas estruturas podem trazer uma sensação de continuidade.

Não se isole.

Quando estamos sofrendo, podemos ter vontade de desaparecer, evitar conversas ou acreditar que estamos incomodando os outros.

Mas compartilhar o que estamos vivendo com alguém de confiança pode aliviar parte do peso.

Não é preciso ter uma solução para oferecer.

Às vezes, precisamos apenas de alguém que escute.

E, em situações de sofrimento persistente ou intenso, o apoio de um profissional de saúde mental pode fazer uma diferença importante.

Cuide também do corpo.

Em momentos difíceis, o corpo costuma sentir junto.

O sono pode mudar, a tensão muscular aumentar, a disposição diminuir e até atividades simples podem parecer mais difíceis.

Por isso, manter algum movimento dentro das possibilidades de cada pessoa pode ser uma forma de preservar o bem-estar durante períodos de maior dificuldade.

Não é sobre usar atividade física para fugir do problema.

É sobre não abandonar completamente o corpo enquanto a mente está tentando lidar com ele.

Uma caminhada, uma aula de Pilates, exercícios de força, alongamentos ou simplesmente alguns minutos de movimento podem ajudar a manter uma conexão com o próprio corpo e com a rotina.

Dê limites ao problema.

Um problema real merece atenção.

Mas ele não precisa ocupar todas as horas do dia.

Quando possível, estabeleça momentos para resolver aquilo que precisa ser resolvido e momentos em que você possa fazer outra coisa.

Assistir a um filme. Ler. Conversar. Ouvir música. Encontrar amigos. Fazer uma atividade prazerosa.

Sentir alegria em meio a uma fase difícil não significa que você deixou de se importar com o problema.

Você não precisa sofrer o tempo inteiro para provar que aquilo é importante.

E procure ajuda quando o peso estiver grande demais.

Existem situações que não precisam — e nem devem — ser enfrentadas sozinhas.

Se a tristeza, a ansiedade, o medo ou a angústia forem persistentes, muito intensos ou começarem a interferir no sono, na alimentação, nos relacionamentos, no trabalho ou nas atividades cotidianas, buscar ajuda profissional é uma forma de cuidado.

Pedir ajuda não significa que você não é forte o suficiente.

Significa reconhecer que, naquele momento, você merece apoio.

Nem todo monstro precisa ser vencido hoje

Talvez essa seja a parte mais importante de toda essa conversa.

Existem monstros que surgem porque a nossa mente está cansada, assustada ou interpretando uma situação de maneira mais ameaçadora do que ela realmente é.

Mas existem também monstros que aparecem diante de problemas reais.

Nos dois casos, a resposta não precisa ser lutar contra tudo de uma vez.

Às vezes, precisamos parar.

Respirar.

Olhar para o que está acontecendo.

Separar aquilo que podemos controlar daquilo que não podemos.

Aceitar ajuda.

Cuidar do corpo.

Continuar vivendo pequenas partes da vida enquanto atravessamos aquela fase.

E dar tempo para que as coisas possam se reorganizar.

Porque saúde mental não significa viver sem problemas, medo ou tristeza.

Significa também desenvolver recursos para atravessar os momentos difíceis sem perder completamente a conexão com nós mesmos, com as pessoas que amamos e com a vida que continua acontecendo ao nosso redor.

Talvez o monstro ainda esteja ali.

Mas ele não precisa ocupar a casa inteira.

Uma reflexão sobre saúde mental e os “monstros” que podem surgir em momentos de medo, cansaço ou fragilidade emocional. Entenda como acolher o que você sente, diferenciar pensamentos da realidade e encontrar caminhos para atravessar momentos difíceis com mais equilíbrio e esperança.

Contato

Se tiver alguma dúvida entre em contato através do WhatsApp, responderei assim que possível.

Endereço do Estúdio

Rua Jorge Lacerda, 272 - Centro - São Bento do Sul - SC

(47) 99934-5389

Atendimento: de Seg - Sex das 7h às 21h

Siga-me no Instagram
[booked-calendar]

Fique por dentro!

inscreva-se para receber nossas notificações!
Eu quero!