Dores nas articulações: descansar nem sempre é a melhor solução

Diante desse desconforto, muitas pessoas tomam uma decisão quase automática: parar de se movimentar.

Embora essa pareça a atitude mais lógica, ela nem sempre é a melhor escolha.

Na maioria dos casos de dores articulares persistentes, o movimento orientado faz parte do tratamento e pode ser um dos principais aliados para reduzir a dor, recuperar a função e melhorar a qualidade de vida.

O que acontece quando uma articulação dói?

As articulações são estruturas que unem dois ou mais ossos, permitindo que o corpo realize movimentos. Elas são compostas por cartilagem, ligamentos, cápsula articular, líquido sinovial e músculos que trabalham em conjunto para garantir estabilidade e mobilidade.

Quando algum desses componentes sofre sobrecarga, inflamação, desgaste ou lesão, surgem sintomas como dor, rigidez, inchaço e limitação dos movimentos.

Nem toda dor, porém, significa que houve um dano grave. Em muitos casos, ela é resultado de alterações temporárias relacionadas ao excesso ou à falta de movimento.

Descansar pode piorar o problema

Durante muitos anos acreditou-se que sentir dor significava que era preciso evitar qualquer atividade física.

Hoje, a ciência mostra justamente o contrário para a maioria das dores articulares crônicas.

Quando permanecemos muito tempo em repouso, alguns efeitos começam a aparecer:

  • perda de força muscular;
  • redução da flexibilidade;
  • diminuição da estabilidade das articulações;
  • piora da circulação local;
  • aumento da rigidez;
  • redução da lubrificação natural das articulações.

Esse conjunto de fatores cria um ciclo no qual a pessoa sente mais dor, movimenta-se menos e, consequentemente, perde ainda mais capacidade funcional.

O movimento é um “lubrificante natural”

Diferentemente de outras estruturas do corpo, a cartilagem das articulações não possui vasos sanguíneos.

Ela recebe nutrientes principalmente por meio do líquido sinovial, responsável por lubrificar as articulações.

Sempre que nos movimentamos de forma adequada, esse líquido circula com mais eficiência, favorecendo a nutrição da cartilagem e reduzindo o atrito entre as superfícies articulares.

É por isso que muitas pessoas relatam sentir mais rigidez pela manhã ou após permanecerem muito tempo sentadas. Depois de alguns minutos caminhando ou realizando movimentos leves, o desconforto costuma diminuir.

Fortalecer os músculos protege as articulações

As articulações não trabalham sozinhas.

Toda vez que caminhamos, subimos escadas, levantamos objetos ou praticamos esportes, os músculos ajudam a distribuir as cargas recebidas pelo corpo.

Quando essa musculatura está fraca, a sobrecarga sobre joelhos, quadris, ombros e coluna aumenta, favorecendo o aparecimento das dores.

Por isso, programas de fortalecimento muscular são considerados uma das estratégias mais eficazes para o tratamento de diversas condições articulares, incluindo a osteoartrite.

O papel do Pilates no alívio das dores articulares

O Pilates é uma excelente opção para pessoas que convivem com dores nas articulações porque trabalha o corpo de maneira global e respeita os limites individuais.

Entre seus principais benefícios estão:

  • fortalecimento dos músculos estabilizadores;
  • melhora da mobilidade articular;
  • aumento da flexibilidade;
  • aperfeiçoamento do equilíbrio e da coordenação;
  • melhora da postura;
  • redução das sobrecargas durante as atividades do dia a dia;
  • maior consciência corporal.

Além disso, os exercícios podem ser adaptados para diferentes idades, níveis de condicionamento físico e condições clínicas, tornando a prática segura quando acompanhada por um profissional capacitado.

Quando descansar continua sendo importante?

Isso não significa que toda dor deva ser ignorada.

Em situações como entorses recentes, fraturas, lesões traumáticas importantes, febre associada à dor, grande inchaço ou perda importante da função, é fundamental procurar avaliação médica antes de retomar as atividades.

Nesses casos, pode ser necessário um período inicial de repouso relativo, seguido de um programa gradual de reabilitação.

O segredo está em saber diferenciar quando descansar é necessário e quando permanecer parado apenas prolonga o problema.

Hábitos que ajudam a manter as articulações saudáveis

Além da prática regular de exercícios, alguns hábitos fazem diferença na saúde das articulações:

  • mantenha um peso corporal adequado;
  • pratique atividades físicas regularmente;
  • fortaleça a musculatura de todo o corpo;
  • evite permanecer muitas horas na mesma posição;
  • faça pausas durante o trabalho;
  • cuide da qualidade do sono;
  • mantenha uma alimentação equilibrada;
  • hidrate-se adequadamente;
  • respeite os sinais do seu corpo sem abandonar completamente o movimento.

Conclusão

Sentir dor nas articulações não significa, necessariamente, que você deve parar de se movimentar.

Na maioria dos casos, permanecer ativo, com exercícios adequados e acompanhamento profissional, contribui para reduzir a dor, melhorar a função das articulações e recuperar a confiança nos movimentos.

O repouso absoluto pode até parecer uma solução rápida, mas frequentemente prolonga o desconforto e acelera a perda de força, mobilidade e independência.

Movimentar-se com segurança é uma das formas mais eficazes de cuidar das suas articulações hoje e preservar sua qualidade de vida no futuro.

Referências científicas

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Fransen M, McConnell S, Harmer AR, et al. Exercise for osteoarthritis of the knee. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015.

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World Health Organization. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Geneva: WHO; 2020.

American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 11th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2022.

Pescatello LS, Riebe D, Thompson PD (eds.). ACSM’s Exercise Management for Persons with Chronic Diseases and Disabilities. Human Kinetics.

A dor nas articulações é uma queixa frequente entre adultos e pode afetar joelhos, ombros, quadris, tornozelos e mãos. Ela pode surgir após esforço físico, longos períodos na mesma posição ou em decorrência das mudanças naturais do envelhecimento.

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