Aprender a perder

Desde cedo, aprendemos a ganhar: notas boas, metas batidas, elogios, reconhecimento. Mas quando algo não dá certo — quando perdemos um projeto, um relacionamento, um sonho, uma fase da vida — ficamos sem chão.

Perder dói.

Dói porque frustra expectativas, desmonta planos, mexe com a nossa identidade. Às vezes, não é só o que se perde — é quem a gente pensava que seria depois daquilo. E isso exige tempo. Exige silêncio. Exige escuta interna.

O problema é que vivemos tentando passar rápido demais por esse lugar. Como se sentir tristeza fosse fraqueza. Como se admitir a perda fosse sinônimo de fracasso.

Aprender a perder não é se conformar.

É aceitar que nem tudo está sob o nosso controle — e que isso não nos diminui. Pelo contrário: nos humaniza.

Quando a gente aprende a perder, começa a entender melhor os próprios limites. Aprende a respeitar o tempo das coisas.

Perder também ensina a olhar com mais gentileza para quem somos quando não estamos vencendo. Quem somos sem aplauso. Sem resultado. Sem a sensação de “deu certo”.

E isso pode ser libertador.

Porque a vida real não é feita só de conquistas. Ela é feita de pausas, tropeços, recomeços e ajustes de rota. É feita de despedidas que doem, mas que, aos poucos, abrem espaço para algo novo — mesmo que a gente ainda não saiba o quê.

Aprender a perder é aprender a ficar.

Ficar com a dor sem se endurecer.

Ficar com a frustração sem se culpar.

Ficar com a pergunta sem exigir respostas imediatas.

Com o tempo, a perda deixa de ser apenas ausência e passa a ser experiência. Algo que amadurece, aprofunda, ensina a escolher melhor — pessoas, caminhos, prioridades.

Talvez vencer não seja sempre chegar lá.

Talvez vencer, às vezes, seja atravessar o que não deu certo sem se abandonar no meio do caminho.

E isso… já é muita coisa.

E, enquanto isso… não se abandone

Respeitar o tempo da perda é fundamental.

Nem tudo precisa ser resolvido rápido. Nem toda dor precisa de resposta imediata.

Há momentos em que o melhor que podemos fazer é aceitar que estamos vivendo algo difícil — sem pressionar, sem minimizar, sem fingir que está tudo bem quando não está.

Mas respeitar esse tempo não significa se descuidar.

Continuar cuidando de si, mesmo nos dias mais pesados, é uma forma profunda de carinho. É dizer para si mesma(o): “eu estou aqui por mim, mesmo agora”.

Cuidar do corpo, do descanso, da alimentação, do movimento, do silêncio, da conversa certa.

Não como obrigação.

Mas como apoio.

Às vezes, o cuidado não vai tirar a dor — e tudo bem. Ele não precisa “consertar” nada. Ele apenas sustenta enquanto o atravessamento acontece.

Porque quando a gente se cuida, mesmo em meio à perda, cria um chão emocional para continuar. Um lugar interno seguro para pousar quando tudo parece instável.

Perder exige pausa.

Mas seguir se cuidando é o que nos ajuda a não nos perder de nós mesmas(os) nesse caminho.

E isso, por si só, já é um gesto de autocuidado imenso.

Ninguém gosta de perder. Perder dói. E, se formos honestas(os), a maioria de nós nunca foi ensinada a lidar com isso.

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