14 horas parado: O que a falta de movimento pode fazer com a mente
Os dados fazem parte do Relatório de Preservação do Movimento 2026, uma pesquisa global da ASICS divulgada esta semana que ouviu 34 mil pessoas em 31 países, incluindo o Brasil.
Mais do que medir quanto as pessoas se exercitam, o estudo propõe olhar para o nosso modo de viver e como estamos eliminando movimento do nosso dia a dia.
Seu cérebro também precisa que você se movimente
Durante muito tempo, movimento e saúde mental foram tratados como assuntos separados. De um lado, exercício para músculos, coração e condicionamento. Do outro, sono, emoções, estresse e saúde mental.
Hoje sabemos que essa separação não faz tanto sentido.
A atividade física está associada a benefícios para a saúde mental e cognitiva, incluindo redução de sintomas de ansiedade e depressão e melhora de aspectos da função cognitiva. A OMS reconhece esses benefícios para adultos e pessoas idosas.
O corpo se movimenta. O cérebro participa.
Não é apenas sobre fazer exercício. É sobre interromper o tempo parado
Existe uma diferença entre não fazer exercício e passar muitas horas em comportamento sedentário.
Uma pessoa pode fazer uma atividade física pela manhã e depois permanecer sentada durante horas trabalhando, dirigindo, estudando ou assistindo televisão.
Uma revisão sistemática publicada em 2024 encontrou associação entre diferentes padrões de atividade e comportamento sedentário e indicadores de saúde mental ao longo da vida.
Isso abre espaço para uma ideia muito prática:
não precisamos esperar a hora do exercício para nos movimentarmos.
O que acontece quando saímos do automático?
A vida moderna tornou muitas coisas mais fáceis e, ao mesmo tempo, eliminou pequenos movimentos da nossa rotina.
- fazemos compras sentados
- trabalhamos sentados
- conversamos sentados
- assistimos sentados
- estudamos sentados
A pesquisa de 2026 da ASICS aponta justamente essa transformação: a conveniência da vida moderna tornou o movimento cada vez mais opcional.
Então talvez o desafio não seja simplesmente “fazer mais exercício”.
Talvez seja recuperar o movimento que desapareceu do cotidiano.
Movimento também pode ser uma pausa para a mente
Quando estamos há horas diante de uma tela, concentrados em uma tarefa ou envolvidos em uma rotina repetitiva, levantar e se movimentar não significa necessariamente “perder tempo”.
Significa mudar o estado do corpo e, consequentemente, criar uma pausa para a mente.
Num experimento chamado Desk Break, além das mudanças no bem-estar, foram observadas alterações na atividade cerebral após as pausas de movimento, associadas pelos pesquisadores a maior foco e redução do estresse.
Às vezes, para destravar a mente, precisamos primeiro tirar o corpo da cadeira.
E a memória? O movimento pode ajudar a preservar a saúde cognitiva
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, que reuniu 104 estudos e mais de 341 mil participantes, encontrou uma associação entre atividade física e cognição ao longo do tempo.
E uma revisão mais recente de ensaios clínicos mostrou algo especialmente interessante: interromper períodos contínuos de sedentarismo com atividade física pode melhorar a função cognitiva de forma aguda.
Isso nos permite chegar a uma conclusão muito mais interessante:
Não precisamos esperar envelhecer para começar a pensar na saúde do cérebro.
Cuidar da saúde cognitiva é uma construção ao longo da vida.
Movimento não tem idade
O movimento faz parte da vida em todas as idades. O que muda ao longo dos anos são as necessidades, as possibilidades e as formas de se movimentar.
Na infância, movimentar-se é também uma forma de descobrir o mundo. Correr, pular, brincar, dançar, subir, descer e experimentar diferentes movimentos ajudam no desenvolvimento motor, na coordenação, no equilíbrio e também oferecem oportunidades de interação, criatividade e aprendizagem.
Na adolescência, quando a rotina pode ficar cada vez mais ocupada por estudos, telas e compromissos, manter o corpo em movimento continua sendo importante. Praticar esportes, dançar, caminhar, andar de bicicleta ou simplesmente brincar e estar ao ar livre são maneiras de movimentar o corpo e também criar momentos de convivência e desconexão.
Na vida adulta, o desafio muitas vezes é encontrar espaço para o movimento em meio ao trabalho, aos deslocamentos, às responsabilidades e às muitas horas sentado. Aqui, pequenas escolhas podem fazer diferença: caminhar mais, interromper períodos prolongados sentado, subir escadas, praticar uma atividade física ou reservar um tempo para o Pilates, a dança ou outra prática que traga prazer.
Na maturidade e no envelhecimento, o movimento ganha ainda outro significado. Continuar ativo pode contribuir para preservar força, equilíbrio, mobilidade, autonomia e capacidade funcional, além de favorecer a convivência e o bem-estar. Mais do que manter o corpo em movimento, trata-se de manter a possibilidade de continuar fazendo aquilo que dá sentido à vida.
Em todas essas fases, existe algo em comum: movimentar-se é uma maneira de cuidar do presente e também de construir o futuro.
Por isso, atividade física não deveria ser vista como uma obrigação que começa em determinada idade ou como uma resposta a um problema que já apareceu.
Movimento é parte da vida. E não tem idade para começar, recomeçar ou encontrar uma nova maneira de acontecer.
O movimento é um presente para você
Pequenos movimentos podem parecer pouco diante de tantas horas do dia, mas cada um deles é uma oportunidade de sair do automático, perceber o corpo, estimular a mente e estar mais presente.
O movimento é um presente que você pode se dar todos os dias.

O brasileiro passa, em média, 88% do tempo em que está acordado praticamente sem se movimentar — algo próximo de 14 horas por dia. E a falta de movimento não afeta apenas a saúde do corpo, a pesquisa mostrou que quanto menos as pessoas se movimentam, menor a pontuação de saúde mental.